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Jovens europeus usam pouco a Internet nas escolas, conclui estudo de nove países da UE |
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Escrito pelo Ana Machado, Público
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Os jovens europeus, entre os 12 e os 18 anos, usam mais a Internet em casa que na escola, fruto do número reduzido de computadores nos estabelecimentos de ensino. Esta é a principal conclusão a que chegou o Mediappro, um estudo de nove países europeus, para avaliar a apropriação dos novos media pelos jovens, no qual participou o Centro de Investigação em Comunicação Social do Algarve.
Os jovens algarvios inquiridos estavam no segundo lugar entre os que menos usavam a Net na escola, a seguir aos dinamarqueses. E são também dos que mais usam motores de pesquisa e os quartos na utilização do Messenger.
Durante um ano e meio, Bélgica, Dinamarca, Estónia França, Grécia, Itália, Polónia, Portugal e Reino Unido participaram no Mediappro, um projecto inserido no plano de acção Para uma Internet mais segura, da Comissão Europeia . Ao todo, estiveram envolvidos neste estudo europeu 7400 jovens, entre eles 650 de quatro escolas algarvias - a Escola Secundária de Loulé, a Escola EB 2,3 Doutor João Lúcio, na Fuseta, a Escola Secundária de Silves e a Escola EB 2,3 António Sousa Agostinho, de Almancil. O objectivo era averiguar o que usam, entre Internet, blogues, telemóveis e videojogos, para que fins usam e com que frequência. Depois retirar daí algumas conclusões.
"Entre 2000 e 2005 deu-se uma explosão da Internet nos países industrializados. A disseminação das comunicações electrónicas em rede abriu novas esperanças aos adultos. Mas também trouxe medo, principalmente em relação aos perigos que a rede pode trazer aos mais jovens, inocentes e inexperientes, e com uma apetência de adulto para o que é novo", pode ler-se na introdução do relatório em www.mediappro.org .
Na área do uso na Internet, são os ingleses e polacos que mais usam a Internet na escola. Os dinamarqueses são os que usam mais em casa. Verificou-se ainda que a consequência de navegar na Net é, no imediato, ver menos televisão, ler menos...e ouvir mais música. Metade dos jovens, no total dos inquéritos, afirma que nunca falou com alguém desconhecido em chats, mas admite que em jogos on-line já jogou com estranhos. E 68 por cento diz que sabe que não deve usar imagens de outras pessoas na Net sem autorização.
Os responsáveis afirmam que o estudo pretende apenas demonstrar indicadores pontuais e não fazer uma análise estatística de carácter representativo do uso que os jovens fazem dos novos media electrónicos. Mas a Comissão Europeia esperava que emanassem recomendações sobre como proteger os jovens, de um fenómeno que se instalou e com o qual estes irão crescer e conviver inevitavelmente: "Eles serão os habitantes de uma floresta na qual nós ainda só conseguimos ver as primeiras árvores a rebentar."
Neste sentido, e após analisados os inquéritos e algumas entrevistas de fundo, a equipa portuguesa recomenda, em primeiro lugar, que seja investigado aprofundadamente por que é que há um tão grande desfasamento entre o uso de Internet na escola e o uso em casa, que é predominante. "Devem ser defendidos mecanismos de utilização no contexto escolar." 46 por cento dos alunos algarvios entrevistados afirmou nunca usar Internet na escola. Mas esta é uma recomendação transversal, que todos os nove países europeus que participaram no estudo fazem.
Outra sugestão que é feita por todos prende-se com a necessidade de desenvolver entre os jovens mecanismos de sensibilização para as funções comunicacionais que os novos media proporcionam no contexto da família e das relações sociais. E o relatório português avança ainda com outras sugestões: "Fazer estudos semelhantes noutras faixas etárias, sobretudo entre os 8 e 12 anos e estudos sobre indicadores de info-exclusão."
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